| Por Newton Alexandria | Relações Públicas | 20-07-2010 |
O caso acabou. Fato. É fato também, segundo @baldurquino (Pedro Souza Pinto), que “os protestos de estudantes e profissionais por causa de um “RP na novela” (ou em outros meios) não são novidade. Eu mesmo já acompanhei isso diretamente, se bem me lembro, quatro vezes nos meus pouco mais de cinco anos de formado. Ou seja, praticamente uma vez por ano”.
Pedro Baldurquino também alega que sempre que acontecem situações desse tipo envolvendo Relações Públicas, vê-se bater de pés, mas que não são relembrados casos anteriores e que não se buscam retratações à altura do embaraço.
Pois bem, mercadólogo com grande afinidade por Relações Públicas que sou, resolvi esquentar essa discussão.
Que eu lembre, pelo menos no meu ponto de vista que não sou um RP propriamente, o caso mais notório envolvendo Relações Públicas foi o último, da novela. Certamente, por se tratar da TV Globo e por vir em uma trama no horário nobre e também pelas ampliações e replicações dadas pelo Twitter, o que inclusive culminou no tratamento pelos maiores veículos de imprensa on e off-line, o que de certa forma também chamou os RPs mais desavisados para a “briga”, que passaram a escrever em seus blogs, a mandar cartas e comunicados à tal emissora e ao autor do folhetim. Mas, realmente, o que os conselhos e profissionais da área fazem ou fizeram para evitar que tais eventos não se repitam e que as retratações sejam satisfatórias? Afinal de contas, fala-se em gestão de crises, associa-se aos RPs, por outro lado, não é raro vermos pessoas que acham que um Relações Públicas é um sujeito bonachão, de sorriso aberto que participa de eventos e reuniões e que faz lobby; isso só pra ficar na metade do equívoco.
Acredito que grandes avanços vêm acontecendo no que tange a mudança desse panorama, desse estigma imputado aos RPs, que certamente incomoda muitos dos profissionais ligados à Comunicação. E essa mudança, até naturalmente, se dá e começa nos meios on-line, com estudantes e profissionais criando rodas de discussões em fóruns, colocando seus pontos de vista em blogs, engajando no Twitter e em outras redes sociais, entre outras formas. Mas isso não basta; é preciso que o grande público conheça mais e melhor sobre o perfil desses profissionais e o trabalho que desenvolvem, tão importante para a “saúde” de organizações, celebridades, órgãos governamentais e suas relações com seus públicos de interesse. E uma boa e grande oportunidade para isso e que foi perdida foi a de utilizar o meio pelo qual o equívoco e dano se deram, a TV Globo, para em pleno horário nobre, ao fim da novela de preferência, desfazer o mal entendido, com autor, conselhos, profissionais e estudantes da área se posicionando e esclarecendo. Isso só poderia acontecer se os conselhos fossem mais incisivos, apoiados pela área como um todo e partissem para outras esferas, extrapolando a diplomacia e pedindo uma retratação séria.
Em uma nota no site da Abril que trazia o desfecho do caso, apontando que o autor trocaria o cargo do personagem Fred, entre outras opiniões acaloradas, comentei:
Ora, ora… os RPs bateram o pé e foram ouvidos em suas indignações. Uma profissão que já sofre e não tem o reconhecimento, e que os profissionais vêm se articulando arduamente para obter um maior prestígio no mercado. E vem uma novela de repente pôr tudo abaixo? Faça-me o favor! Compromisso e responsabilidade. Faltou o autor e seus colaboradores atentarem mais ao que acontece fora do mundinho da teledramaturgia.
Sucesso aos RPs nesse nosso Brasil! Sucessos aos comunicólogos! E juízo e ponderação à TV e seus feitores.
Enganos e equívocos acontecem com vários profissionais, como é o caso dos marqueteiros (aliás, para muitos, um termo pejorativo, preferindo “mercadólogos”), que aqui e ali são relacionados à manobras, a mentirosos e enganadores e também à pura propaganda, sem considerar todo um trabalho de planejamento e gestão por trás. Porém, nesse caso, Marketing é uma área forte e sabida por todos há muito tempo, o que não acontece com Relações Públicas; lá fora, principalmente nos EUA, a profissão é bem difundida e a mão-de-obra dos profissionais amplamente utilizada e valorizada, mas aqui ainda passa por um período inicial de adesão, de aceitação, de conhecimento e valorização principalmente por parte do mercado, onde a mínima menção errada ao termo, principalmente em grandes veículos, pode pôr tudo a perder.
Que não fique somente no discurso a defesa da profissão, da área e de suas atribuições, mas que cada um dos envolvidos na área tenha a missão de fazer um trabalho de formiguinha, de boca a boca mesmo, levando aos mais ignorantes sobre as responsabilidades e atribuições e o quanto a profissão é fundamental e importante para o sucesso de quem defende, seja público ou privado, seja empresa ou funcionário, e que da próxima vez se busque uma retratação do mesmo alcance do algoz.
Afinal de contas, já que Relações Públicas inclusive zelam e cuidam da imagem e reputação de terceiros, por que não defender-se a si mesmo com mais vigor e resultado, antes, durante e depois das crises?













Muito bom o texto e muito bem escrito!
Também concordo que deveria haver uma união para defender a profissão com mais vigor, mas acredito que, aos poucos, com cada um fazendo sua parte (com textos belissimamente escritos que encontramos na web), estamos conseguindo mudar esse estigma imposto aos RP’s, como tu salientaste!
Talvez ainda deveríamos todos, profissionais e acadêmicos, investir mais nessa luta e defesa da profissão, porém acredito que o que já vem sendo feito não é em vão e está contribuindo para melhorar a imagem que a área tem. Eu mesma já presenciei casos e fatos, mesmo que locais, que comprovam isso.
Abraço,
Juliana – uniRP
Isso mesmo, Juliana. Certamente ainda há muito trabalho para desfazer esse estigma, mas o que já vem sendo feito é louvável para um reconhecimento e valorização cada vez maior dos Relações Públicas.
Forte abraço,
@oPolivalente
Olá de novo!
Lembrei que, para exemplificar o que eu falei no comentário anterior, poderia trazer o primeiro post oficial de 2010 do blog uniRP! Newton, se quiseres conferir, o link é http://unirp.blogspot.com/2010/04/perspectivas-e-apostas-para-area-de-rp.html
Espero que goste.
Abraço!
Juliana – uniRP
Corri lá pra ver, Juliana! Que post agregador é aquele, garota? Vi até a Belle comentando por lá! E muito boas as colocações e opiniões dos profissionais e estudantes da área também.
Parabéns mesmo e nunca esmoreça por esse trabalho. Vale a pena levantar a bandeira de causas nobres como essa.
Abração,
@oPolivalente
Muito obrigada!! Que bom que gostaste!!
Foi um post bem bacana de fazer e me senti muito feliz de ver todas aquelas opiniões a respeito da área de RP! É isso aí, cada um fazendo um pouco, fazendo sua parte, estamos conseguindo mover algumas “montanhas”, mesmo que pequenas ainda!
Abraço,
Juliana – uniRP
Oi Newton,
Ótimo post, valeu!
Concordo com você e a Juliana, atualmente tem muita gente boa produzindo conteúdo, mostrando a cara e dizendo o que faz um RP.
Mas isso me traz outras provocações ainda. Por exemplo, se esse trabalho de formiguinha é eficiente quando, ao mesmo tempo, os próprios RPs não dizem as mesmas coisas nesse boca-a-boca. Se cada um diz algo diferente, e isso acontece muito, pode ser algo com pouco ou nenhum resultado.
Penso ainda se, ao falarmos de um recente caso de distorção da imagem por um meio de massa, estaremos falando com esse mesmo público quando estamos escrevendo textos em blogs específicos. Acho pouco provável que as pessoas que formam suas opiniões com base na novela das 8 sejam frequentadoras dos blogs específicos do segmento de RP.
E se a ideia é falar com outros públicos então, é preciso pensar novamente no primeiro ponto: há muita gente produzindo conteúdo. Mas esse conteúdo passa a mesma mensagem?
Vejo sim um movimento de significativa melhora e reconhecimento da área de RP, mas influenciado talvez até mais pelo próprio amadurecimento do mercado e observação das melhores experiências – porém não chamando de RP, mas sim, comunicação organizacional, institucional etc.
Já fazemos hoje um trabalho de formiguinha, mas sem lideranças, sem organização aparente. Por que o comportamento semelhante ao dos dias seguintes à exibição da novela – unificado, objetivo, com meta definida e ações de visbilidade – é tão pontual, e não permanente, ou pelo menos mais frequente? Essa pra mim é ainda a grande questão.
[...] Em uma nota no site da Abril que trazia o desfecho do caso, apontando que o autor trocaria o cargo do personagem Fred, entre outras opiniões acaloradas, comentei: Leia +. [...]
BOA! a reflexão e puxão de orelha nos RPs é ótima.
Ser RP em bons momentos é ótimo, agora encarar a “crise da categoria” e fazer algo para mudar é dificil.
Temos que nos registrar nos CONRERPS (para exercer “legalmente” a profissão) e assim cobrar mais e mais ação do sistema CONFERP para com a difusão e defesa da profissão.
A oportunidade de falar o que quer ao CONFERP está aí. A consulta pública deles está aberta e se encerra em breve. Vá lá e diga o que pensa, ao invés de apenas reclamar pelos cantos.
Juntos, como formiguinhas, temos mais do que capacidade e condições de reverter este quadro. Querer é um começo, levantar e fazer é o que falta!
Pois é, finado Clodovil disse mais ou menos, estes dias na TV, que é preciso o inimigo cutucar para que cresçamos e reajamos, muitas vezes.
Valeu o coment!
Abraços,
@oPolivalente