Desenvolvimento do processo criativo

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Por Livia Brito | Comunicação e Marketing | 12-07-2010

Eu já havia desistido da pós-graduação, até que recebo um e-mail da coordenação informando uma alteração no calendário. Naquele final de semana teríamos o módulo “Desenvolvimento do processo criativo”. No mesmo instante decidi continuar a especialização e fui à aula cheia de expectativas.

É comum associar a criatividade a determinadas profissões. Publicitários, comunicadores, profissionais de marketing, pesquisadores, cientistas, escritores geralmente são os chamados criativos. No entanto, todas as pessoas possuem a capacidade de criar; o importante é querer criar e desenvolver essa habilidade.

Nossa colega Natalya Nunes já apresentou sobre este tema aqui no A  Bordo, mas quero trazer um enfoque diferente: como e qual a importância de desenvolver o processo criativo?

O cérebro possui dois hemisférios, o esquerdo e o direito. O primeiro é responsável pelas associações, pensamentos e ações lógicas, concretas, baseadas na ciência e na razão. Já o direito é intuitivo e emocional – muitas vezes é este hemisfério que traz à tona o insight criativo. Neste contexto, também é comum dizer que os homens têm o esquerdo mais desenvolvido, enquanto as mulheres possuem o direito mais aguçado. Entretanto, ainda que um seja mais desenvolvido que o outro nestes dois gêneros, ambos precisam caminhar juntos para que o processo criativo seja um ciclo completo.

O processo criativo inicia-se no momento em que se percebe uma situação problemática, etapa que se chama apreensão. Identificado o problema, é preciso preparar o campo e buscar dados, informações e conhecimento relacionados à situação. Vale ressaltar que a base da criatividade é o saber; conhecimento é a mola propulsora para esta habilidade.

Em posse do conhecimento, a etapa de incubação é o auge do processo, momento em que o cérebro trabalha relacionando todo o conhecimento adquirido com a situação-problema. Até que seja possível encontrar a resposta: é a iluminação. É nessa etapa que o insight, o Eureka!, preenche toda a lacuna cerebral que até então estava aberta. Enfim, é chegado o momento de verificação, para avaliar se a ideia solucionará o problema inicial.

Existem outros estudiosos que mencionam processos diferentes, mas esse, do pesquisador George Kneller (1978), é o mais comum. São os caminhos que normalmente e inconscientemente se utilizam para resolver problemas, sejam pessoais ou profissionais.

Os problemas fazem parte do cotidiano, rotineiramente é preciso resolver uma situação antes que o caos se instale. Especialmente na relação mercado versus consumidor. Por isso que muitas organizações contratam pensadores, planners, consultores, os quais estão aptos a encontrar as respostas. No entanto, é necessário ouvir todos os envolvidos no processo, principalmente aqueles que participam ativamente dele.

Nem preciso dizer que a aula superou todas as minhas expectativas – e ainda temos mais dois sábados pela frente. Tudo o que aprendi naquele dia valeu muito a pena; é como se eu precisasse escutar toda aquela avalanche de informação e conhecimento, especialmente no campo profissional.

Por fim, registro uma definição que exemplifica todo o texto:

Criatividade é a habilidade que tem um indivíduo de relacionar seus conhecimentos, suas habilidades, para satisfazer uma necessidade, seja ela pessoal ou não, usando para isto combinações novas que possibilitem um resultado inovador no seu contexto. (Escrito pela Prof. Dra. Mônica Justino Sens, 1998, em sua tese. Certamente, ela já é um daqueles “mestres” que nunca esquecerei).

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Comments (4)

Conseguiu explicar mt bem um tema tão complexo. Na minha opinão o trabalho começa mesmo é depois do “Eureka”. Nâo te parece isso?

MATEUS

Não adianta muito ter dois hemisférios, se cada um trabalhar por si só, certo?!

Para que algo inovador se transforme em real, é necessário mais do que só ideias criativas, é preciso saber como fazer dar resultado.

Abs.

Excelente artigo.

A criatividade é uma competência humana que pode e deve sempre ser trabalhada. Quanto mais usamos mais criativos nos tornamos.

Parabéns.

Obrigada, Mateus e Maira.

Certamente o trabalho inicia na etapa de verificação da ideia. Por mais que o processo de identificação e estudo sobre o problema seja cansativo e cheio de expectativas, é na verificação que visualizamos a aplicabilidade. E se, neste momento, a ideia não for satisfatória, faz-se um feedback para selecionar os erros e retornar ao processo inicial.

É como você falou Maira, “é preciso saber como fazer dar resultado”, mesmo que seja preciso reiniciar várias vezes.

;)
Abraço,
@liviabrito

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